Em agosto de 2008 presenciei na Espanha dois acidentes graves: o primeiro, no dia 20, foi a queda de um avião MD-82 no Aeroporto de Barajas, em Madrid, com a morte de 154 pessoas. O segundo ocorreu em 24 de agosto, durante uma visita à região da Catalunha. Foi um incidente grave na central nuclear de Vandellòs II, em Tarragona, que sofreu um incêndio no seu gerador elétrico, obrigando-a a fechar as suas portas por várias semanas. Este incidente trouxe à minha memória a catástrofe que ocorreu a 22 anos na velha e obsoleta central soviética de Chernobyl. Como conseqüência, uma nuvem radioativa atingiu toda a URSS, Europa Oriental, Reino Unido e Escandinávia, ocasionando o pior acidente nuclear da história. Dentre as causas destacou-se a pouca instrução dos operadores, defeitos em reatores, a falta de comunicação correta entre os escritórios de segurança e os operadores, além do desligamento de aparelhos de segurança dos reatores.
Na Espanha, em 1989 a usina Vandellòs I foi fechada em decorrência de um incêndio nas turbinas e em novembro de 2007 a usina nuclear Asco 1 apresentou uma fuga radioativa e somente comunicou o fato em abril de 2008, fato este que gerou uma multa de 22 milhões de euros para a usina. Ocorreram 10 outros incidentes nas centrais nucleares espanholas no verão de 2008.
Apesar da rigorosa regulamentação do Conselho de Segurança Nuclear da Espanha(CSN), o número de notificações de problemas nas centrais espanholas continua alto(média anual de 63 no período de 2000 até agora) em comparação com a média de 90 notificacões/ano na década de 90.
Não podemos esquecer dos problemas que geram os resíduos radioativos produzidos por uma central nuclear. Continua um problema sem solução. Os cemitérios nucleares resultam num crime ambiental que leva milhares de anos para desaparecer. De acordo com dados do governo americano de fins da década de 80, encontravam-se àquela época armazenados (apenas nos Estados Unidos), em tanques especiais de aço, entre 300 e 400 milhões de litros de resíduos radioativos. O ecologista brasileiro Júlio José Chiavenato afirma que "1% desse lixo atômico é mais poderoso do que todas as emissões liberadas pelas bombas atômicas detonadas até hoje." Todo esse lixo atômico precisa ser guardado por pelo menos mil anos, e os tanques precisam ser substituídos a cada vinte anos por razões de segurança.
Sou consciente da necessidade do uso de energias alternativas, todavia, a exemplo do Deputado Professor Wanderlê, sou contra a instalação de Usinas Nucleares. Existem outros caminhos a explorar que, combinados entre si, podem muito bem abastecer o nosso Estado de energia limpa que não comprometa a nossa sobrevivência. A longo prazo as fontes de energia renovável, como a solar, eólica e de biomassa, oferecem uma promessa melhor e maior que a energia nuclear para a geração de eletricidade limpa e barata. (in: Global Warming, the Greenpeace Report, Jeremy Leggett).
Conterrâneos. Sejamos realistas. Continuamos com dificuldades de combater os nossos pequenos problemas, a exemplo dos incêndios, da nossa crônica falta de água e de leitos, dos distúrbios ocasionados pela mudança climática no nosso Estado, etc, etc, imaginem se tivéssemos que enfrentar um acidente ou incidente numa usina nuclear! Um incêndio no gerador elétrico, um vazamento de radiação, uma falha no reator, curtocircuitos, fissuras na estrutura, falha no sistema de refrigeração, etc.
Na minha opinião,os nossos filhos merecem promessa melhor. |