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TEMAS DE ATUALIZAÇÃO CIENTÍFICA
Dr. William Soares

QUEM CANTA, SEUS MALES ESPANTA!

Hoje vamos falar sobre três coisas que me dão muito prazer:
as endorfinas, a música e o prazer de ouvir boa música.
As endorfinas são substâncias químicas neurotransmissoras
que têm a função de transmitir os sinais elétricos utilizados
pelos neurônios na comunicação do sistema nervoso. Foram
descobertas em 1975 por dois grupos independentes de investigadores:
- John Hughes e Hans Kosterlitz, na Escócia;
- E, ao mesmo tempo, por Rabi Simantov e Solomon H. Snyder
, nos Estados Unidos.
As endorfinas têm propriedades similares à morfina.  O termo foi
criado por Eric Simon e é uma abreviação de “morfina endógena”
ou, como quer o autor “morfina produzida naturalmente pelo corpo”.
Desde a sua descoberta em 1975 até hoje, foram encontrados 20
tipos diferentes de endorfinas no sistema nervoso, sendo a
beta-endorfina a mais eficiente pois é a que dá o efeito mais
eufórico ao cérebro. (Melissa Conrad Stoppler, MD Assistant
Professor of Pathology in the Georgetown University School of Medicine).
Efeitos principais das endorfinas:

Hoje, sabemos que ao ouvirmos música liberamos endorfinas o que
resulta no desencadeamento dos diversos efeitos citados acima.
A música tem uma força excepcional no equilíbrio da pessoa. Ela
tem o poder de energia, de reduzir o stress, e mesmo de estabelecer
o equilíbrio fisiológico. A Bíblia cita que foi a harpa de Davi que tirou o
rei Saul de uma depressão. No Talmud, encontramos referências a um
aparelho que fazia com que gotas d'água caíssem continuamente em
um vaso de metal, criando com isso um som murmurante contínuo que
ajudava a pessoa a adormecer e a recuperar-se.
O oncologista americano Mitchell L. Gaynor, diretor de oncologia médica
do Strang-Cornell Cancer Prevention Center, filiado ao New York Hospital
demonstra em seu livro, Sons que Curam ( Sounds of Healing) , estudos
que comprovam os efeitos proporcionados pela música, em especial
nas pessoas que passaram por problemas graves de saúde.
Realizados entre as décadas de 80 e 90, os estudos apontaram que
a música é capaz de modificar a fisiologia. As técnicas utilizadas na
pesquisa foram as mais diversas, de exposição dos pacientes à
música clássica, marchas militares e trilhas sonoras de filmes.
Os principais efeitos apontados são:

  • Redução da ansiedade e das freqüências cardíaca e respiratória
  • Redução das complicações cardíacas
  • Redução da pressão arterial
  • Aumento dos mensageiros de células do sistema imunológico
  • Queda nos níveis dos hormônios do estresse
  • Aumento da produção de substâncias que causam bem-estar, como as endorfinas.

A força da música é reconhecida desde tempo imemorial. Historicamente
vamos encontrar evidência disto nos escritos dos filósofos gregos, como
 Homero, Platão, Plutarco, Aristóteles, e especialmente Pitágoras e seus
discípulos. Mencionavam que a música podia ser usada como agente de
cura psíquica. Homero recomendava a música para evitar paixões negativas
tais como a ira, o pesar, a preocupação, o medo e a fadiga, além de
promover uma recreação saudável para a elevação da alma e do corpo.
Para Platão,ouvir música era da mais alta importância para o bem-estar
do estadoe a saúde do povo. Na opinião de Aristóteles as duas
principais funções da música eram servir como catarse das emoções
e construir um caráter ético forte.Estudos atuais demonstram que
pacientes expostos à musicoterapia  utilizam menos medicamentos
para o controle da dor e dos efeitos colaterais provocados pelos tratamentos.
“A música é muito bem recebida pelos pacientes acostumados com
tratamentos que, de certa forma, causam sofrimento. A musicoterapia
os beneficia com conforto e bem-estar”, explica Ana Cláudia de Lima
Quintana Arantes, geriatra, paliativista e coordenadora do Serviço de
Terapia da Dor e Cuidados Paliativos do Hospital Israelita Albert Einstein.
Ouvir música pode ter efeitos benéficos para o sistema
cardiovascular – mas só se for música agradável e da
preferência do ouvinte. A afirmação é de um estudo feito
por pesquisadores da Escola de Medicina da Universidade de
Maryland e apresentada em 11/11/2008 em reunião da Associação
Norte-Americana do Coração, em Nova Orleans-EUA.
A pesquisa destaca os efeitos da música no funcionamento da
circulação sangüínea. Segundo os autores, músicas selecionadas
por voluntários entre as que produziam a sensação de bem-estar,
ao serem ouvidas, ajudaram a promover a dilatação dos vasos e
a aumentar o fluxo sangüíneo.
Por outro lado, músicas consideradas “estressantes” levaram à
contração dos vasos e à redução no fluxo sangüíneo. “Havíamos
demonstrado anteriormente que emoções positivas, como o riso,
são boas para a saúde vascular. Desta vez, decidimos verificar se
outras emoções, como as evocadas pela música, teriam efeito
semelhante”, disse Michael Miller, professor da Escola de Medicina
da Universidade de Maryland e um dos autores do estudo.
Finalizando, vamos falar do terceiro ítem que me dá muito
prazer: ouvir boa música. E foi o que fiz recentemente, ao lado
da minha esposa e da nossa grande amiga Elita Freitas, uma
pernambucana de fibra que reside em Boca Raton, na Flórida.
Ouvimos o fenomenal conjunto “Brazilian Voices”, composto de
brasileiras que cantam e encantam a todos que as escutam. Elas
estão fazendo um trabalho maravilhoso junto aos pacientes crônicos
de diversos Hospitais da Flórida. Ao cantarem a nossa Bossa Nova
para aqueles pacientes, injetam neles milagrosas doses de
endorfinas e, principalmente, doses de simpatia, carinho, amor,
fraternidade e humanismo. Parabéns meninas!  Quem canta
espanta os seus males e os nossos também.

by William Soares
Membro da Academia Sergipana de Medicina
 e Diretor do Instituto de Oncologia San Giovanni (Aracaju-Sergipe-Brasil)

Brazilian Voices and Friends II performance exhibited professionalism and charm. The stage brightened with their cheerfulness once more, and distinctive songs mixed bossa nova and soul. Their Friends, renowned musicians, have interlaced their roots into one. They were talented and they were remarkable!
The Brazilian Voices (Broward Center for the Perf. Arts Fort Lauderdale, FL-USA).
Vestindo um longo vermelho, à direita, visualizamos a Diretora do Grupo, Loren Alves de Oliveira, filha do saudoso sergipano Airton Alves de Oliveira.

*William Eduardo Nogueira Soares, médico cancerologista, membro da Academia Sergipana de Medicina e da Sociedade Brasileira de Radioterapia.


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