Nada como unir o útil ao agradável. Ou vice-versa. E isso eu procuro fazer sempre quando viajo.
Recentemente, eu e minha adorável esposa passamos duas maravilhosas semanas na caliente Espanha. Tempo suficiente para passear de mãos dadas na Gran Via de Madri e nas Ramblas de Barcelona; sorver uma deliciosa sangria com “tapas” em Toledo; degustar uma apetitosa paella valenciana (sem camarão é claro, pois a minha alergia a este crustáceo não me permite degustá-lo) em Marbella; conhecer a monumental Plaza de Toros de Ronda, inaugurada em 1785, casa dos maiores toureiros de Espanha: los Ordóñez, Caeytano y su hijo Antonio. Visitar o esplêndido palácio Alhambra, em Granada ou passear pelos formosos jardins do espetacular palácio Alcázar, em Sevilha. E ter umas aulas de “tablao flamenco” em Córdoba.
E por falar em aulas, agora vem a parte útil do passeio. Neste período, entre uma paella, sem camarão e uns “tapas”, tomei conhecimento de dois fabulosos projetos científicos espanhóis. Um deles está sendo realizado por renomados cientistas do Centro Nacional de Investigaciones Oncológicas - CNIO, em Madri, coordenados pela Dra. María Blasco, Diretora do Programa de Oncologia Molecular do CNIO. Este grupo conseguiu criar nova cepa de “superratones” transgênicos com 45% a mais de vida média após a ativação das três grandes estrelas da investigação oncológica: a telomerase, chamada a “enzima da eternidade” e os gens p53 e p16, conhecidos como os gens guardiões do genoma. A telomerase permite às células dividirem-se indefinidamente, tornando-as imortais. Os gens p53 e p16, por sua vez, protegem as células, impedindo-as de transformarem-se em células cancerosas. O trabalho mostrou que nos animais que tiveram seus gens p53 e p16 ativados, a incidência de câncer foi praticamente zero.
Segundo a Dra. Blasco, “el elixir de la eterna juventud ya no es utópico. La ciencia no tiene limites.” Informou ainda a pesquisadora que esta pesquisa poderá ser extrapolada, dentro de 20 anos, para o ser humano, permitindo que a nossa espécie viva até 125 anos, em média, sem desenvolver câncer. Quem viver, verá. Olé!
Na próxima semana continuarei hablando sobre o outro projeto. Não percam.
William Soares (Madri, 26 de agosto de 2008)
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