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Bicentenário da Faculdade de Medicina da Bahia (1808-2008)

O primeiro curso de Medicina no Brasil foi criado em Salvador, no
dia 18 de fevereiro de 1808, sob a denominação de Colégio de Cirurgia.
Funcionou inicialmente no Hospital Real Militar, com apenas 2
professores: José Soares de Castro e Manoel José Estrela, os quais não
recebiam qualquer remuneração pelo ofício.

Tem-se registro de cinco nomes que cursaram os 8 primeiros anos do
curso, a saber: Manoel José Bahia, José Alves do Amaral, Francisco
Sabino Alves da Rocha, Antonio José de Souza Aguiar e Francisco Gomes
Brandão. Pouco se sabe sobre as atividades de ensino nesses anos
iniciais. Há de registrar-se que não era obrigatório assistir às aulas. Em 1815 organizou-se o ensino de Medicina, com 5 anos de duração, sendo seu idealizador o baiano Dr. Manoel Luiz Álvares de Carvalho,médico pessoal de D. João VI. Ao concluírem o curso, recebiam o título de “Cirurgião Formado”, com “licença somente para praticar a
cirurgia”. Iniciava-se o ano letivo em 13 de março e terminava em 4 de
dezembro. O exame final dava-se na presença do Governador da
Capitania, consistindo na apresentação e defesa de histórias clínicas
de 5 pacientes.

A Lei de 3 de outubro de 1832 mudou o nome de Colégio Médico-Cirúrgico para Faculdade de Medicina da Bahia, passando para 6 anos a duração do curso. Criou também cursos paralelos de Farmácia e Obstetrícia, esse último instituído apenas para mulheres.

Em 5 de março de 1905 deu-se um grande incêndio no prédio do
Terreiro de Jesus. Naquele tempo, o aviso de incêndio era através de
seqüências de badaladas dos sinos das igrejas, cujo número
identificava a freguesia onde ocorria o sinistro. Com alto grau de
coragem e desprendimento, um estudante de Medicina, Oliveira Júnior,
usando uma escada e mangueira, conseguiu refrescar o teto e o piso do
Salão Nobre, fazendo o mesmo na sala vizinha à da secretaria e também
nos gabinetes de História Natural e Histologia. Infelizmente, foram
destruídos pelo fogo implacável, 14 mil obras raras e 22 mil outros
volumes. Até hoje pairam dúvidas a respeito da origem do incêndio, se
criminoso ou acidental.

A primeira mulher médica graduada nessa Faculdade e no Brasil foi
Rita Lobato Velho Lopes, em 10 de dezembro de 1887. Seu diploma
repousa atualmente em uma parede do Museu da Faculdade, em lugar de
destaque.

No final da década de 1960, deu-se a transferência da Faculdade
para o Vale do Canela, retornando a administração da mesma para o
Terreiro de Jesus em 2 de março de 2004.

Completando seu bicentenário, no dia 18 de fevereiro próximo
passado, creio ter sido o único sergipano presente a tão grandiosa
festa, representando a Academia Sergipana de Medicina, por incumbência
da digníssima presidente, Dra. Deborah Pimentel. Encontrei-me lá com o
Prof. Dr. Thomas Rodriguez Porto da Cruz, médico sergipano radicado há
vários decênios na Boa Terra, professor renomado e ex-diretor daquela
instituição, devidamente paramentado com sua impecável beca, com o
olhar orgulhoso e feliz de fazer parte dessa história.

Uno-me aos nossos vizinhos nesse regozijo.

Petrônio Gomes é Membro da Academia Sergipana de Medicina






LÁ DO LADO DE CÁ
De Marcelo da Silva Ribeiro, da Academia Sergipana de Letras e da Academia Sergipana de Medicina À venda: Banca do Roberto - Praça Fausto Cardoso. Consultório do Dr.Marcelo - Centro Médico Luiz Cunha.

 

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